Saúde da mulher é tema de palestra para colaboradores do MPT
O Ministério Público do Trabalho (MPT) na Bahia realizou a palestra “A mulher na atualidade com foco em saúde da mulher” para o público interno do órgão nesta segunda-feira (31/03).
A roda de conversa foi coordenada pela Dra. Sandra Renata Marques, ginecologista, obstetra, gestora da saúde e diretora do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS).
O evento encerrou o mês de março, momento das discussões sobre a mulher globalmente. O convite à especialista foi feito pelo médico do MPT Marcos Valverde a pedido da Comissão Socioambiental do MPT na Bahia, coordenada pela procuradora regional do MPT Maria Lúcia de Sá Vieira. Além de procuradoras e servidoras, a palestra contou com a presença de um grupo de trabalhadoras terceirizadas que atuam na sede do órgão reunidas no plenário para acompanhar a exposição.
A palestrante, além de trazer um histórico do direito das mulheres no Brasil e no mundo, tratou de três eixos centrais: O óbito materno, com mais de 90% dos casos evitáveis, a prevenção do câncer de colo do útero, de fácil rastreio e prevenção, e o aborto legal, relevante também para uma melhor saúde mental feminina.
Sandra Marques destacou que o óbito materno é “um dos piores indicadores de saúde possíveis, já que indica morte de mulheres jovens e em idade ativa”. Enfatizou a importância do combate à gravidez na adolescência, ao preconceito entre profissionais de saúde e à violência obstétrica, todos agravantes do número de gestantes mortas. “É necessário entender que existem diversos tipos de vulnerabilidade, e consequentemente, constante necessidade de acolhimento”, destacou a médica em relação à atuação das equipes obstétricas.
Sobre o câncer de colo do útero, a médica foi enfática em destacar a previsibilidade desta doença. “É um câncer que não precisa acontecer. É de fácil rastreio e de fácil prevenção com o devido acompanhamento”, destacou a palestrante ao indicar que 95% dos casos estão relacionados ao vírus do HPV. A prevenção ocorre por meio das vacinas quadrivalente e polivalente, responsáveis por proteger dos subtipos virais mais oncogênicos, além da realização do exame papanicolau, barato e altamente eficaz no rastreio deste câncer.
Por fim, a palestrante destacou a importância do aborto legal para a integralidade da saúde feminina, relevante também para a melhoria da saúde mental das gestantes, muitas vezes violentadas. “Não podemos deixar de enfatizar a importância desse direito. O projeto da maternidade deve ser uma escolha, e nunca imposto”, completou Sandra Marques.

