Relação entre mudanças climáticas e saúde mental no trabalho é tema do Abril Verde
A campanha Abril Verde de 2026 do Ministério Público do Trabalho (MPT) tem como tema “Clima equilibrado. Trabalho protegido. Mente saudável”.
A iniciativa busca estimular a construção de uma cultura de prevenção que integre saúde mental, organização do trabalho e mudanças climáticas para enfrentar o crescimento do número de casos envolvendo eventos climáticos extremos, como enchentes, deslizamentos, queimadas e ondas de calor, que causam impactos nos ambientes de trabalho, promovendo sobrecarga emocional, intensificando quadros de ansiedade, síndrome de burnout e transtorno de estresse pós‑traumático (TEPT). Os 540 mil afastamentos previdenciários relacionados a transtornos mentais e comportamentais registrados em 2025 no país apontam para a necessidade de enfrentar o problema.
Durante todo o mês de abril, serão publicadas notícias nos portais do MPT, além de postagens em redes sociais do MPT. Também estão previstos eventos presenciais como audiências para discutir soluções que garantam meio ambiente do trabalho saudável, seguro e equilibrado. Para simbolizar o mês dedicado ao tema, as unidades do MPT em todo o Brasil vão iluminar suas sedes com a cor verde.
Segundo o procurador do MPT Raymundo Ribeiro, que coordenada na instituição as ações de defesa do meio ambiente do trabalho, a prevenção de acidentes e doenças do trabalho deve ser repensada de maneira integrada, priorizando a eliminação dos perigos na origem. “No campo psicossocial, é preciso reorganizar o trabalho para torná-lo viável, sustentável e humano, com estabelecimento de metas alcançáveis e jornadas de trabalho dentro dos limites legais, em ambientes baseados no respeito, cooperação, escuta ativa e qualificada. Também é preciso reconhecer diferenças individuais e oferecer respostas sensíveis às diversas formas de vivenciar o trabalho, especialmente em situações de vulnerabilidade agravada por eventos climáticos”.
De acordo com a também procuradora do MPT Gisela Nabuco vice-coordenadora das ações ligadas ao tema, o objetivo da campanha é esclarecer sobre esses impactos na saúde mental no trabalho. “É importante que o trabalhador e a trabalhadora saibam dos riscos a que estão expostos. Eles devem participar ativamente de todo o processo de levantamento e avaliação dos fatores psicossociais, assim como do monitoramento das medidas de prevenção e controle, contribuindo para a melhoria contínua do ambiente de trabalho. É fundamental ouvir quem trabalha”.
Para o procurador André Pessoa, que atua na unidade do MPT em Itabuna, sul da Bahia, e é vice-coordenador nacional adjunto de defesa do meio ambiente de trabalho, “as mudanças climáticas não só causam riscos físicos, como também intensificam os fatores de risco psicossociais, pois ampliam a insegurança, a pressão por produtividade em contextos adversos e a instabilidade nas condições de trabalho. Por causa disso, eventos climáticos devem integrar a análise de riscos também por seus impactos na organização do trabalho e na saúde mental. Em um cenário de ondas de calor, por exemplo, trabalhadores de setores como construção civil ou limpeza urbana enfrentam maior risco físico e, simultaneamente, maior pressão por resultados, ocasionando estresse, ansiedade e exaustão”.
Dados – Em 2025, o MPT recebeu 1.017 denúncias relacionadas a saúde mental no trabalho. Essas queixas são sobre irregularidades como metas inalcançáveis, jornadas extensas, pressão contínua e ambientes baseados no medo que produzem sofrimento e adoecimento. São Paulo é o estado que registrou o maior número de reclamações (221), seguido por Mato Grosso do Sul (98) e Rio de Janeiro (77).
No último dia 23 de março, a Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês) das Nações Unidas publicou o relatório “Estado do Clima Global 2025”. O documento revela que o acúmulo de calor é crescente no planeta. Já a Organização Internacional do Trabalho (OIT) alerta que as mudanças climáticas criam graves riscos para a saúde de 70% dos trabalhadores no mundo.
Abril Verde – O movimento teve início em 2014 com o Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho da Paraíba (Sintest-PB), em parceria com a Associação de Engenharia de Segurança do Trabalho da Paraíba.
Duas datas significativas para a segurança e a saúde no trabalho marcam o mês de abril e justificam a sua escolha para a realização da campanha.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi criada em 7 de abril de 1948, dia em que também passou a ser celebrado o Dia Mundial da Saúde, com o objetivo de conscientizar a população a respeito da importância de cuidar da saúde e da necessidade de atenção quanto aos determinantes e condicionantes do processo saúde e doença, neles incluído o trabalho.
Em 2003, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) instituiu 28 de abril como o Dia Mundial de Segurança e Saúde do Trabalho. A data foi escolhida por marcar a promulgação da primeira lei que representou avanços para a saúde e a segurança no trabalho, em 1919, em Ontário, no Canadá.
A data também é uma referência à memória de 78 mineiros mortos durante explosão em uma mina no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, em 1969. No Brasil, a data foi instituída pela Lei nº 11.121, de 2005, como o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.
